Data: 21/07
O aumento do número de brasileiros endividados, a expansão do crédito consignado privado e o crescimento das apostas online vêm intensificando os desafios das empresas na gestão da saúde financeira dos trabalhadores. Diferentes estudos apontam reflexos sobre produtividade, absenteísmo e gestão de pessoas, enquanto a oferta de crédito para empregados com carteira assinada segue em expansão.
Em 2026, o Brasil chegou a 83,5 milhões de pessoas negativadas, segundo a Serasa, ao mesmo tempo em que a taxa básica de juros permanece em 14,25% ao ano. Levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) aponta crescimento das operações de fintechs de crédito, sobretudo no consignado privado, impulsionado pelo Crédito do Trabalhador, disponível para empregados com carteira assinada.
O crédito concedido por fintechs cresceu de forma expressiva na última década. Só em 2025, o volume alcançou R$ 53,8 bilhões, alta de 51% ante o ano anterior. O consignado privado passou a representar 47% da carteira das fintechs de crédito, ante 40% antes, reforçado pelo Crédito do Trabalhador, disponível desde março de 2025 para cerca de 47 milhões de empregados CLT, contratado pela Carteira de Trabalho Digital com autenticação via Gov.br. A margem consignável segue limitada a 35% do salário líquido, conforme a Lei nº 10.820/2003.
Apesar do limite legal para o consignado, especialistas lembram que outros descontos também reduzem a remuneração líquida, como coparticipação em planos de saúde, faltas, atrasos, pensão alimentícia e benefícios oferecidos pelas empresas. Muitos trabalhadores ainda mantêm contratos de crédito pessoal fora da margem consignável, e a soma dessas obrigações pode reduzir bastante a renda disponível no fim do mês.
Outro fator citado é o crescimento das apostas esportivas online. Dados do Banco Central apontaram, ainda em 2024, aumento da participação das apostas no orçamento das famílias de menor renda. Em 2025, o mercado movimentou entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, e a arrecadação tributária do setor passou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, na comparação anual. Há expectativa de aumento das apostas durante a Copa do Mundo de 2026.
Pesquisas da SalaryFits (grupo Serasa Experian) indicam que 66% dos trabalhadores sentem mais estresse por causa de dívidas, 47% relatam exaustão física e 33% percebem queda de produtividade. Dados da CNDL/SPC Brasil apontam que 61% dos inadimplentes dizem que o endividamento afeta o desempenho profissional e 80% relatam impactos na saúde física ou mental.
Levantamento da Abrappe/KPMG mostra ainda que o varejo brasileiro registrou R$ 42,1 bilhões em perdas operacionais e furtos em 2025, sendo que furtos internos representam entre 8% e 10% dessas perdas, com a pressão financeira apontada como um dos fatores observados. Diante desse cenário, o acompanhamento da saúde financeira dos trabalhadores passou a integrar as discussões sobre gestão de pessoas, produtividade e riscos corporativos.
Fonte: Com informações de Contábeis